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Episiotomia: O Guia Definitivo Sobre o Corte no Períneo e Como Proteger o Seu Corpo

Publicado em 24 de setembro de 202618 minutos de leitura
Escrito por Priscilla Valadares · Fisioterapeuta Obstétrica · CREFITO-SP 123456
Revisão Médica por Dr. André Mello · CRM-SP 123456 / RQE 12345 · Atualizado em setembro de 2026
Gestante confiante e serena com as mãos na barriga em um ambiente acolhedor, representando o empoderamento para o parto
Conhecimento é poder — e você merece saber tudo sobre o seu corpo antes do parto

Resumo Direto — O que você vai encontrar neste guia

A episiotomia — o corte no períneo durante o parto — não é mais recomendada como procedimento de rotina pela OMS, FEBRASGO e ACOG. Quando o obstetra faz esse corte, ele já causa automaticamente uma laceração de grau 2, atingindo a musculatura perineal. Quando o corpo lacera espontaneamente, a maioria das lacerações é de grau 1 — superficial, às vezes sem necessidade de sutura.

Neste guia, eu vou te explicar o que é a episiotomia, por que ela não deve ser rotina, os graus de laceração perineal, como prevenir lacerações com massagem perineal, fisioterapia pélvica e compressas mornas, e — muito importante — o que conversar com o seu obstetra e colocar no seu plano de parto. Você tem direito de decidir sobre o seu corpo, mamãe!

O que é episiotomia e por que ela não é mais recomendada?

Então, gente, a episiotomia é um corte cirúrgico feito na região do períneo — ali entre a vagina e o ânus — durante o momento do parto. Durante muitos anos, esse corte foi feito de forma rotineira, como se fosse obrigatório. Mas a ciência evoluiu, e hoje nós sabemos que não é mais recomendado fazer episiotomia de rotina, tá?

Eu sei que pode parecer assustador falar sobre isso, mas é justamente o contrário: quanto mais você entende, mais segura e confiante você se sente. E esse é o meu objetivo com este guia — te dar o conhecimento para que você se sinta dona do seu corpo e do seu parto.

O que dizem as principais autoridades médicas

  • OMS (2018): Recomenda que a episiotomia NÃO seja realizada rotineiramente em partos vaginais espontâneos.
  • FEBRASGO: A episiotomia seletiva é preferível à episiotomia de rotina — reduz o trauma perineal severo.
  • ACOG (2016, reafirmado): A episiotomia restrita (seletiva) apresenta melhores resultados do que a rotineira.
  • Cochrane (Jiang et al., 2017): Revisão com 12 ensaios clínicos confirma benefícios da política restritiva.

Fonte: OMS — Recomendações de Cuidados Intraparto, 2018

Por que ela deixou de ser recomendada? Porque quando a gente faz esse corte, ele já corresponde a uma laceração de grau 2 — ou seja, a gente já está cortando a musculatura do períneo. E quando a gente deixa o corpo lacerar naturalmente, se for o caso, a maior parte dessas lacerações é grau 1, aonde muitas vezes nem precisa dar ponto! Ou, no máximo, grau 2.

Ilustração educacional simplificada da anatomia do períneo feminino, mostrando a região entre a vagina e o ânus
O períneo é a região entre a vagina e o ânus — é aqui que a episiotomia é realizada

Quais são os graus de laceração perineal no parto?

Quando falamos de laceração no parto, existem 4 graus, e é muito importante que você entenda cada um para perceber por que a episiotomia rotineira não faz sentido, tá?

Graus de laceração perineal — entenda cada nível
GrauO que atingePrecisa de sutura?Frequência
Grau 1Apenas pele e mucosa vaginalNem sempre — muitas vezes cicatriza sozinhaMais comum (maioria dos partos)
Grau 2Musculatura perineal superficialSim, com pontos absorvíveisComum — equivale à episiotomia
Grau 3Estende-se até o esfíncter analSim, requer reparo cuidadosoRara
Grau 4Atinge a mucosa retalSim, reparo especializadoMuito rara

Fonte: Royal College of Obstetricians and Gynaecologists (RCOG) — classificação internacional de lacerações obstétricas.

Dica da Pri sobre lacerações

Gente, quando a gente deixa lacerar naturalmente, se for o caso no trabalho de parto, a maior parte dessas lacerações é grau 1. São raras aquelas que evoluem para grau 3 e grau 4, onde ela se estende até o esfíncter anal. E olha que interessante: a episiotomia automaticamente já é grau 2! Ou seja, cortar de rotina coloca você numa posição pior do que deixar o corpo fazer o trabalho dele.

Infográfico educacional mostrando os quatro graus de laceração perineal de forma simplificada e não gráfica
Os graus de laceração perineal — na maioria dos partos, a laceração espontânea é grau 1 (superficial)
AspectoLaceração espontânea (grau 1-2)Episiotomia (grau 2 automático)
ProfundidadeVariável — geralmente superficialSempre atinge a musculatura
Direção do corteIrregular, segue linhas naturaisReta, pode se estender facilmente
RecuperaçãoGeralmente mais rápidaPode ser mais dolorosa e demorada
Risco de extensãoMenor quando respeitado o tempoPode se estender a grau 3-4
Dor pós-partoMenor em grau 1Dor significativa nos primeiros dias
Impacto no assoalho pélvicoMenor quando superficialMaior por cortar a musculatura

O que conversar com o seu obstetra sobre episiotomia?

Então, gente, é muito importante você conversar com o seu obstetra para ver se a episiotomia faz parte dos procedimentos rotineiros que ele utiliza no parto. Essa conversa é fundamental para que você se sinta segura e respeitada.

Perguntas essenciais para fazer ao seu obstetra

  • "A episiotomia faz parte dos seus procedimentos de rotina no parto?" — Esta é a pergunta mais direta e importante.
  • "Qual a sua taxa de episiotomia?" — Um profissional alinhado com as evidências terá uma taxa muito baixa (menos de 10%).
  • "Em que situações você considera necessária a episiotomia?" — Espere respostas como: sofrimento fetal agudo, necessidade de abreviar o expulsivo.
  • "Você utiliza compressas mornas no períneo durante o expulsivo?" — Isso demonstra prática baseada em evidências.
  • "Qual a sua postura sobre posições verticalizadas no parto?" — Profissionais atualizados apoiam a livre movimentação.
  • "Qual a taxa de episiotomia da maternidade?" — Dados da instituição revelam muito sobre a conduta da equipe.

Dica da Pri: confiança é tudo!

Gente, eu não estou dizendo para vocês desconfiarem do médico de vocês, tá? Mas é seu direito perguntar. Um profissional que trabalha com evidências vai te receber bem e explicar tudo com transparência. A relação com o seu obstetra precisa ser de confiança mútua. Se você não se sente segura para fazer perguntas, talvez seja hora de repensar essa relação.

Plano de Parto

Monte o seu plano de parto e garanta que suas vontades — incluindo a recusa de episiotomia rotineira — sejam registradas.

O que incluir no plano de parto sobre episiotomia?

O plano de parto é o seu documento de direitos e preferências. Sobre a episiotomia, vale incluir itens claros e objetivos. Aqui vão algumas sugestões de como registrar:

Modelo de registro no plano de parto

  • "Não autorizo a realização de episiotomia de rotina."
  • "Solicito que sejam utilizadas compressas mornas no períneo durante o expulsivo."
  • "Prefiro posições verticalizadas ou lateralizadas durante o expulsivo."
  • "Desejo que o expulsivo seja conduzido com respeito ao meu tempo, sem puxos dirigidos."
  • "Caso haja laceração espontânea, solicito que a sutura seja realizada com anestesia local adequada."
  • "Em caso de necessidade clínica real de episiotomia, solicito que me seja comunicado e explicado antes da realização."

Lembre-se: o plano de parto é um documento vivo. Ele pode ser ajustado durante o pré-natal à medida que você conversa com seu obstetra e se sente mais preparada. O importante é que ele reflita as suas vontades e esteja alinhado com as evidências científicas.

Gestante em conversa tranquila com o obstetra no consultório, segurando seu plano de parto, em ambiente de confiança
Conversar com o obstetra sobre suas preferências é um direito seu — e um ato de amor próprio

Como prevenir lacerações no parto? As técnicas que funcionam

Agora vem a parte boa, gente! Eu vou ensinar para vocês algumas técnicas para que a gente possa prevenir essa laceração. E a boa notícia é que a maioria dessas técnicas você pode começar durante a gestação, no conforto da sua casa.

Massagem perineal: sua grande aliada a partir de 34 semanas

A massagem perineal é uma das técnicas mais estudadas e eficazes para preparar o períneo para o parto. Ela consiste em uma automassagem na região perineal que ajuda a aumentar a elasticidade dos tecidos, melhorar a circulação local e te dar mais consciência corporal dessa região.

O que diz a ciência sobre massagem perineal

Uma revisão Cochrane com 2.497 mulheres demonstrou que a massagem perineal a partir de 34 semanas pode reduzir em até 16% o risco de episiotomia em primíparas (primeiro parto). Além disso, houve redução significativa na dor perineal pós-parto aos 3 meses.

Fonte: Beckmann MM, Stock OM — Cochrane Database, 2013

  • Quando começar: A partir de 34 semanas de gestação.
  • Frequência: 1 a 3 vezes por semana, por 5 a 10 minutos.
  • Óleo: Use óleo vegetal (amêndoas doces, coco ou girassol) — sem fragrância.
  • Posição: Semi-sentada, recostada em almofadas, com os joelhos flexionados.
  • Técnica: Inserir o polegar na vagina (~3 cm) e pressionar suavemente para baixo e para os lados, em movimentos de "U", mantendo a pressão por 1-2 minutos até sentir uma leve sensação de estiramento (sem dor).
  • Parceiro: O André (ou seu companheiro/a) pode fazer a massagem por você — muitos casais relatam que isso aproxima e fortalece a conexão.
Gestante sentada confortavelmente em almofadas com um frasco de óleo vegetal ao lado, em ambiente sereno e acolhedor
A massagem perineal pode ser feita em casa a partir de 34 semanas — simples, segura e eficaz

Guia Completo de Massagem Perineal

Passo a passo detalhado com vídeos e ilustrações — tudo o que você precisa saber para começar.

Fisioterapia pélvica: a preparação mais completa que existe

Gente, a fisioterapia pélvica é a minha especialidade, e eu posso dizer com toda a certeza: ela faz toda a diferença na preparação para o parto. A fisioterapia pélvica trabalha três pilares fundamentais do seu assoalho pélvico:

  • Consciência corporal: Você aprende a identificar, contrair e — muito importante — relaxar a musculatura do assoalho pélvico. Porque no parto, o que a gente precisa é saber relaxar.
  • Força: Fortalecer o assoalho pélvico não é só para "segurar" — é para que ele tenha tonicidade e resistência durante a gestação e recuperação pós-parto.
  • Flexibilidade: Um assoalho pélvico flexível permite que o bebê passe pelo canal de parto com menos resistência, reduzindo o risco de lacerações.

Exercícios-chave que eu recomendo na gestação

Na fisioterapia pélvica para gestantes, os exercícios que eu mais trabalho são:

  • TPMAP (Treinamento dos Músculos do Assoalho Pélvico): Os famosos "Kegel" — contrações lentas e rápidas, trabalhando resistência e coordenação.
  • Báscula pélvica: Movimentos de anteversão e retroversão da pelve, que melhoram a mobilidade e aliviam dor lombar.
  • Exercício do Gato-Vaca: Melhora a mobilidade da coluna e da pelve, aliviando tensões e preparando o corpo para as posições de parto.
  • Treino de relaxamento perineal: Aprender a "soltar" o períneo — fundamental para o momento do expulsivo.
  • Respiração diafragmática: Conexão direta entre diafragma e assoalho pélvico — quando um relaxa, o outro também relaxa.
Gestante praticando exercícios de assoalho pélvico em um tapete de yoga com bola suíça ao lado, em casa
Exercícios de fisioterapia pélvica: preparar o assoalho pélvico é investir em um parto mais confortável

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Exercícios práticos para mobilidade pélvica, báscula, respiração e preparação do assoalho pélvico.

Compressas mornas no períneo durante o parto

As compressas mornas na região perineal durante o período expulsivo são uma das técnicas mais simples e eficazes para reduzir lacerações graves. A evidência é forte:

Evidência sobre compressas mornas

Revisão Cochrane (2017) com mais de 15.000 mulheres demonstrou que a aplicação de compressas mornas no períneo durante o segundo estágio do parto pode reduzir significativamente a incidência de lacerações de grau 3 e 4. É uma técnica não invasiva, de baixo custo e que qualquer equipe de parto pode aplicar.

Fonte: Aasheim V, et al. — Cochrane Database, 2017

Posições verticalizadas e liberdade de movimento

A posição em que você pare tem um impacto direto no risco de laceração. Posições verticalizadas (de cócoras, quatro apoios, de joelhos) aumentam a abertura pélvica em até 28% comparadas com a posição deitada de costas (litotomia). Além disso, a gravidade ajuda o bebê a descer, e a pressão no períneo é mais uniforme e gradual.

Dica da Pri: converse sobre as posições de parto

Coloque no seu plano de parto que você deseja ter liberdade de posição durante o expulsivo. Posições verticalizadas, lateralizadas ou de quatro apoios distribuem melhor a pressão no períneo e podem reduzir a necessidade de qualquer intervenção. E lembre: a melhor posição é a que o seu corpo pedir!

Puxos fisiológicos (sem puxos dirigidos)

Os puxos dirigidos — quando a equipe pede para você "fazer força" prendendo o ar (manobra de Valsalva) — podem aumentar a pressão sobre o períneo e elevar o risco de laceração. Os puxos fisiológicos, em que você segue o impulso natural do seu corpo, são mais seguros e eficazes. Como eu sempre falo: essa força vem naturalmente — é que nem vomitar, você não consegue segurar!

Checklist completo: tudo o que você pode fazer para proteger o seu períneo

Aqui vai um resumo de todas as estratégias que a ciência apoia para prevenir lacerações e evitar a episiotomia desnecessária:

Estratégias de proteção perineal — o que fazer em cada fase
QuandoO que fazerEvidência
Pré-natal (desde o início)Fisioterapia pélvica com profissional especializadoFortalece e flexibiliza o assoalho pélvico
A partir de 34 semanasMassagem perineal 1-3x/semanaCochrane 2013: reduz episiotomia em 16% (primíparas)
Pré-natalExercícios de relaxamento perineal + respiraçãoPrepara o períneo para o expulsivo
Pré-natalConversar com o obstetra sobre episiotomiaAlinhamento de expectativas e práticas
Pré-natalRegistrar no plano de parto a recusa de episiotomia rotineiraDireito da gestante (OMS)
Durante o parto (expulsivo)Compressas mornas no períneoCochrane 2017: reduz lacerações grau 3-4
Durante o parto (expulsivo)Posições verticalizadas ou lateralizadasAumenta abertura pélvica em até 28%
Durante o parto (expulsivo)Puxos fisiológicos (sem Valsalva)Reduz pressão sobre o períneo
Durante o parto (expulsivo)Proteção perineal ativa pelo profissionalControle da velocidade de coroamento

Plano de Parto Completo

Registre todas as suas preferências — incluindo proteção perineal, posições e recusa de episiotomia.

Seus direitos como gestante: o que a lei diz sobre episiotomia?

No Brasil, toda gestante tem o direito de ser informada e consultada sobre qualquer procedimento realizado durante o parto. A episiotomia, quando feita sem consentimento ou indicação clínica, pode ser considerada violência obstétrica.

Seus direitos no parto

  • Direito à informação: Todo procedimento deve ser explicado antes de ser realizado.
  • Direito ao consentimento informado: Você precisa autorizar qualquer intervenção no seu corpo.
  • Direito ao plano de parto: Conforme recomendação da OMS, o plano de parto é um instrumento de comunicação entre a gestante e a equipe.
  • Direito ao acompanhante: Lei nº 11.108/2005 garante a presença de acompanhante durante todo o parto.
  • Direito de recusar procedimentos: Incluindo episiotomia rotineira, desde que não haja indicação clínica de emergência.

Gente, eu não quero que vocês fiquem com medo, tá? O objetivo é que vocês estejam informadas e empoderadas. Quando você sabe os seus direitos e se prepara para o parto, você se torna protagonista da sua história. E é isso que eu quero pra cada uma de vocês.

Perguntas frequentes sobre episiotomia

Reunimos as dúvidas que vocês mais me fazem sobre episiotomia, laceração perineal e prevenção — respondidas com base em evidências científicas e com muito carinho.

Referências científicas

  1. OMS — Recomendações da OMS: cuidados intraparto para uma experiência de parto positiva (2018).
  2. Jiang H, et al. — Selective versus routine use of episiotomy for vaginal birth (Cochrane, 2017).
  3. Beckmann MM, Stock OM — Antenatal perineal massage for reducing perineal trauma (Cochrane, 2013).
  4. Aasheim V, et al. — Perineal techniques during the second stage of labour for reducing perineal trauma (Cochrane, 2017).
  5. ACOG — Practice Bulletin: Prevention and Management of Obstetric Lacerations at Vaginal Delivery (2016, reafirmado).
  6. FEBRASGO — Protocolo de Assistência ao Parto Normal (Protocolo 101).
  7. Ministério da Saúde do Brasil — Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal.
  8. Royal College of Obstetricians and Gynaecologists (RCOG) — The Management of Third- and Fourth-Degree Perineal Tears (Green-top Guideline No. 29, 2015).
  9. Lawrence A, et al. — Maternal positions and mobility during first stage labour (Cochrane, 2013).
Foto de Priscilla Valadares
Responsável Técnica

Priscilla Valadares

CREFITO-SP 123456 · Fisioterapeuta Obstétrica, Osteopata e Doula

Especialista em saúde da mulher e assoalho pélvico, criadora do método PPRRI (Pensamento, Postura, Respiração, Relaxamento e Imaginação) e do portal Gravidez com Amor. Minha missão é empoderar mulheres com conhecimento baseado em evidências para que vivam uma gestação, parto e pós-parto com confiança, segurança e muito amor.

Conteúdo revisado clinicamente em setembro de 2026

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Aviso importante

Este conteúdo possui caráter informativo e educacional. Não substitui a consulta médica presencial. Em caso de dúvidas ou sintomas incomuns, consulte sempre sua equipe obstétrica. Cada gestação é única. Resolução CFM nº 2.336/2023.

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Priscilla Valadares